A história de dois homens seriamente doentes

Por Álex Cavalcante

“Dois homens, seriamente doentes, ocupavam o mesmo quarto em um hospital. Um deles ficava sentado em sua cama por 1h todas as tardes para drenar o líquido de seus pulmões. Sua cama ficava próxima da única janela existente no quarto.

O outro homem era obrigado a ficar deitado de bruços em sua cama por todo o tempo. Eles conversavam muito. Falavam sobre suas mulheres, famílias, seus empregos e lembranças da vida. E toda tarde, quando o homem perto da janela podia sentar-se, ele descrevia ao seu companheiro as coisas que ele PODIA VER ATRAVÉS DA JANELA.

O homem na outra cama começou a esperar por esse período. O seu mundo era ampliado e animado pelas descrições do companheiro. Ele dizia que da janela dava para ver um parque com um lago bem legal. Patos e cisnes brincavam na água, enquanto as crianças navegavam seus pequenos barcos. Jovens namorados andavam de braços dados no meio das flores, que possuíam todas as cores do arco-íris. Grandes e velhas árvores cheias de elegância preenchiam a paisagem.

Quando o homem perto da janela fazia suas descrições, ele o fazia de modo primoroso e delicado, com detalhes, e o outro homem fechava os olhos e imaginava a cena.

Numa tarde quente, o homem perto da janela descreveu que havia um desfile na rua e, embora ele não pudesse escutar a música, ele podia descrever tudo.

Certa manhã, a enfermeira chegou trazendo água para o banho dos dois homens, mas achou o homem que ficava perto da janela morto. Foi durante o seu sono à noite.

Tempos depois, o outro homem pediu à enfermeira que mudasse sua cama para perto da janela. Vagarosamente, ele se apoiou no cotovelo para conseguir olhar pela primeira vez. Finalmente poderia ver tudo! Esticou-se ao máximo, lutando contra a dor.

Quando conseguiu fazê-lo, deparou-se com um muro todo branco.

Ele então perguntou à enfermeira o que teria levado seu companheiro a descrever-lhe coisas tão belas, todos os dias, se pela janela só dava para ver um muro branco. A enfermeira respondeu que aquele homem era cego e não poderia ver nada, mesmo que quisesse.

“Aquilo que seu coração sentir você verá. Porque o verdadeiro reviver acontece de dentro pra fora.”

Fraterno abraço!

Vamos em frente, juntos somos mais!

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